sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A comunicação pública e a transparência

Andando esta semana pela página da TV Brasil, encontrei um release sobre uma parceria entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), mantenedora da emissora (e também da Agência Brasil, da rádio MEC e da rádio Nacional) e a BBC, a maior e mais renomada rede de comunicação pública do mundo. Segundo o texto, a TV Brasil irá produzir um documentário sobre a passagem de Charles Darwin pelo Brasil e utilizará material do arquivo da BBC. Bem que a cooperação entre as duas empresas poderia se estender a outro campo, o da transparência pública. A gigante britânica tem muito a ensinar; e a noviça brasileira, muito a aprender.

Na quarta-feira, algo em torno de 200 funcionários da EBC, inclusos os jornalistas, entraram em greve por 24 horas. Você soube? Provavelmente não, já que o fato não foi abafado, mas circulou pouco. No dia 18 de outubro, Jonathan Ross, um dos mais populares apresentadores do Reino Unido, e o humorista Russell Brand, deixaram mensagens no mínimo ofensivas na secretária eletrônica do ator Andrew Sachs por ele não ter aparecido para gravar The Russell Brand Show na Rádio 2 da BBC, a mais popular do país; detalhe: tudo foi transmitido durante o programa. Você pode não saber o que aconteceu e quais as conseqüências, mas os britânicos sabem.

A EBC nasceu da fusão da Radiobrás com a TVE-RJ. Servidores disseram à Folha Online que "a transformação da Radiobrás em EBC permitiu que um pequeno grupo de novos servidores fosse contratado com altos salários, enquanto os que integram o quadro funcional da empresa mantiveram os seus rendimentos." Segundo Ricardo Noblat, os jornalistas concursados da EBC têm um piso de R$ 1.700; enquanto que os "contratados para as chamadas 'funções especializadas' recebem, pelo menos, R$ 5 mil". Para forçar o fim da paralisação, a diretoria ameaçou não continuar as negociações de um acrodo coletivo que vinha sendo discutido. "Um dos jornalistas envolvidos na greve chegou a dizer que se sentiu 'chantageado' já que a causa da paralisação era a equiparação do salário e a transparência nas contratações e promoções de jornalistas e não o 'Acordo Coletivo'." Outra reclamação dos funcionários é o centralismo da nova diretoria, encabeçada pela presidente, Tereza Cruvinel.

Sabe o que aconteceu com Jonathan Ross e Russell Brand? A BBC se desculpou publicamente. Depois, os dois. Brand pediu demissão e disse que nunca mais voltaria à BBC. O diretor-geral da BBC, Mark Thompson, foi à tevê se desculpar e dizer que Ross será suspenso por três meses sem receber (um prejuízo de quase £ 1,5 milhão, ou mais de R$ 5 milhões) e que esse foi o "último alerta".

Esses dois exemplos, descontando as devidas proporções que cada um tomou, servem para ilustrar como as duas empresas tratam as suas questões, digamos, internas.Lá na BBC, o público tem alguma resposta, sabe do que está acontecendo. Enquanto isso, a EBC continua uma caixa preta, bem coerente à burocracia do nosso Pais. Brasil-sil-sil!

1 commentários:

Yuri Leonardo disse...

Neves, atualiza teu blogue, pô! :P

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