As fotos do Facebook ou do Flickr, os vídeos do YouTube, as estatísticas da Last.fm, os arquivos do Google Docs. Depois do upload, onde tudo isso vai parar? Na nuvem.
Mas essa nuvem é um tanto diferente, não tem nada de branquinha ou fofinha. Ela está mais para cinza e metálica mesmo. Falo dos milhares de servidores onde todos os bits da internet estão armazenados. Navegamos, navegamos e esquecemos de que a internet não é uma dimensão paralela; ela roda a partir de computadores, cada coisa que vemos está armazenada em algum lugar. Mais tecnicamente, no disco rígido de algum servidor, que pode estar em qualquer lugar da Terra. O template e todos os textos deste blog, por exemplo, estão em algum data center do Google.
Em 1º de abril, aconteceu em Mountain View, na Califórnia, a Google Efficient Data Centers Summit. Nesse evento, a empresa revelou um de seus data centers, que tem capacidade para 45 mil servidores acomodados em 45 contêineres. Dias mais tarde, o vídeo apresentado na reunião com a indústria estava no canal oficial do Google no YouTube.
Google container data center tour | Dibulgação/YouTube
Os data centers são algo tão estratégico para o Google que a empresa fez questão de criar o seu próprio servidor (foto abaixo). Segundo a empresa, isso resultou em um equipamento mais eficiente do ponto energético.
Servidor personalizado do Google | CNET
Quando se fala em instalações onde a conta de luz chega a pesar mais de 80% nos custos operacionais, buscar a eficiência energética é questão de sobrevivência. E nem todo mundo conseguiu resolver este problema. No Guardian, Bobbie Johnosn dá o exemplo do YouTube, que não sai do vermelho por exigir uma estrutura colossal muito maior do que a até agora tímida receita com publicidade pode suportar.
Com conexões de internet cada vez mais estáveis e rápidas, não deve demorar muito até que o único software instalado num computador seja um navegador de internet. Já existem até mesmo sistemas operacionais que rodam inteiramente na web. Essa revolução deve começar em pouco tempo pelos netbooks e torná-los ainda mais baratos.
Para ter uma ideia de como isso não está longe de acontecer, enquanto estiver usando o Gmail, preste atenção no canto superior da tela e veja quanto das nossas necessidades básicas num computador já existem naquele estreito menu. Até mesmo o Facebook ficou com cara de OS depois da última reforma visual.
AMEAÇA AO AMBIENTE
Considerando que a maior parte da energia elétrica dos EUA e da Europa tem origem em fontes poluidoras, a concentração dos nossos dados para esses servidores pode não ser muito interessante para o meio ambiente.
A primeira vez que li sobre foi em outubro do ano passado, na versão brasileira de Le Monde Diplomatique. O grande ponto no artigo de Hervé Le Crosnier (por incrível que pareça, não disponível na internet) é o sistema de resfriamento dos servidores nesses centros de processamento. Para evitar o super aquecimento, é preciso não somente muita energia elétrica, mas principalmente muita água. Tanto que o autor alerta para a construão dessas instalações perto de rios.
Medir o impacto dos data centers é algo impossível de ser feito por má vontade das empresas. Com a importância da nuvem crescendo, o que interessa sobre essas instalações é tratado como segredo comercial. Ninguém quer expor a sua capacidade de processamento para a concorrência. Nem mesmo a Amazon, que mantém um serviço de hospedagem de aplicativos baseados na internet.
Diz o Google que cada busca no portal resulta em mais 200 miligramas de CO2 na atmosfera, o que é muito, muito menos do que uma página de jornal. Mas, em um dia, quantas buscas são feitas e quantos jornais são impressos? Talvez assim a balança pese para o lado do Google. Para diminuir o impacto da nuvem no ambiente, o caminho é o mesmo da diminuição da conta de luz: investir em eficiência energética e em novos métodos de ventilação.
O artigo de Tom Vandrbilt publicado na revista de The New York Times de ontem é interessante por situar a importância crescente da cloud computing sem deixar de levantar os problemas do modelo. Vale a leitura.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Nem branquinha nem fofinha
Por
Wanderley Neves
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02:12
Assuntos: cloud computing, Ecologia, Google, Guardian, Internet, Monde Diplomatique, NY Times
Nem branquinha nem fofinha
2009-06-15T02:12:00-03:00
Wanderley Neves
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